O novo sistema da Anvisa entrou em funcionamento
em maio de 2007 e tem o
objetivo de monitorar de forma mais rápida o consumo abusivo
de cerca de 450
medicamentos e substâncias sob controle - como anabolizantes
e remédios para
emagrecimento. Isto porque ele permite que a fiscalização
seja feita
semanalmente e por via eletrônica, por meio de dados enviados
pelas
farmácias e drogarias diretamente à Anvisa. Até então,
as informações eram
prestadas de forma manual e trimestralmente para os agentes da
vigilância
sanitária.
O
prazo inicial estabelecido pela Anvisa - novembro do ano passado
- já
havia sido adiado em função de uma liminar. De
acordo com informações da
agência, até agora aproximadamente 49 mil estabelecimentos
no país se
habilitaram no novo sistema de fiscalização, mas
não há uma estimativa do
total de estabelecimentos existentes.
O
que está motivando as ações judiciais
não é o novo sistema em si, mas a
suposta dificuldade no cadastramento e a multa prevista em caso
de
descumprimento da norma. No caso da ação ajuizada
pela Anfarmag, a entidade
pediu a suspensão do prazo e da aplicação
das penalidades previstas até que
o sistema estivesse em pleno funcionamento. De acordo com o vice-presidente
da Anfarmag, Álvaro Favaro Júnior, até agora
as farmácias não foram autuadas
devido à compreensão dos agentes da vigilância
sanitária. A Justiça Federal
intimou a Anvisa a prestar esclarecimentos em até dez
dias e concedeu uma
liminar para que o órgão se abstenha de aplicar
as penalidades referentes à
adoção do sistema até a vinda das informações
- o que beneficia cerca de
dois mil estabelecimentos associados à Anfarmag, localizados
em São Paulo e
em 19 municípios paulistas.
Segundo
o advogado Wander da Silva Saraiva Rabelo, do escritório
Moreau
Advogados, que defende a Anfarmag no caso, a partir da obtenção
da liminar
será colocada em prática uma estratégia
para ampliar a propositura de ações
judiciais em outros Estados e garantir o direito de extensão
do prazo aos
cinco mil associados da entidade no Brasil. "A liminar possibilita
a defesa
administrativa das farmácias em caso de multas",
diz.
O prazo de cadastramento no novo sistema da Anvisa - novembro
do ano passado
- foi adiado anteriormente em função de uma ação
impetrada em outubro pela
Associação Brasileira de Redes de Farmácias
e Drogarias (Abrafarma), que
reúne 21 redes de farmácias no país. A entidade
ajuizou uma ação
declaratória da ilegalidade da resolução
da Anvisa que instituiu o sistema e
conseguiu, na 26ª Vara da Justiça Federal de São
Paulo, uma liminar para
garantir às afiliadas da Abrafarma o não-cumprimento
da resolução. A Anvisa
acabou por estender o prazo para 28 de janeiro deste ano, mas,
ainda assim,
as contestações judiciais continuaram. Em dezembro,
o Tribunal Regional
Federal (TRF) do Rio de Janeiro concedeu uma liminar em uma ação
ajuizada
pela Associação do Comércio Farmacêutico
do Estado do Rio de Janeiro
(Ascoferj) - que reúne cerca de mil farmácias e
drogarias - ampliando o
prazo de adesão dos associados ao novo sistema para 27
de fevereiro.
Segundo
a assessoria de imprensa da Anvisa, o sistema já está completamente
normalizado e as falhas alegadas ocorreram devido à sobrecarga
de acessos de
estabelecimentos que resolveram fazer o cadastro, disponível
desde maio,
somente nos últimos dias do prazo. Segundo o órgão,
cerca de seis mil
cadastros foram feitos entre os dias 25 e 30 de janeiro. A assessoria
informou ainda que a Anvisa irá recorrer das decisões.
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Fonte : Jornal Valor Econômico |