Farmacêuticos esclarecem dúvidas sobre o SNGPC

Preocupados com o vencimento do prazo para implantação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), mais de 600 farmacêuticos participaram nesta terça-feira, 30 de outubro, de palestra promovida pelo Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRFMG) e pela Secretaria Estadual de Saúde (SES).

A palestra foi realizada em Belo Horizonte pela farmacêutica Glória Latuf, especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Unidade de Produtos Controlados da Anvisa, e transmitida por vídeo conferência para 28 cidades de todo o estado.

“O objetivo deste encontro é informar e esclarecer as dúvidas dos farmacêuticos na reta final da implantação do sistema, que deverá ser utilizado por todas as farmácias e drogarias envolvidas no comércio de substâncias sujeitas a controle especial”, afirmou Terezinha Póvoa, Diretora da Vigilância Sanitária em Medicamentos e Congêneres de Minas Gerais, na abertura do evento.

Também estavam presentes o subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Minas (SES/MG), Luiz Felipe Caram; o Superintendente de Vigilância Sanitária da SES, José Geraldo de Castro; a gestora estadual do SNGPC, Fernanda Peixoto Sepe; e a vice-presidente do CRFMG, Ângela Caldas.



Luiz Felipe Caram, Terezinha Póvoa, Ângela Caldas, Glória Latuf, Fernanda Peixoto e José Geraldo de Castro


Prazo
Um dos principais questionamentos durante a palestra foi sobre a possibilidade de prorrogação do prazo para a implantação do SNGPC, que vence no dia 2 de novembro. “Até o momento, nenhuma decisão neste sentido foi comunicada pela Diretoria da Anvisa. Continua valendo o prazo determinado pela RDC n° 27, que vence na próxima sexta-feira”, afirmou Glória Latuf.

Glória Latuf, técnica da Anvisa

Dúvidas
Muitos farmacêuticos estão com dificuldades para utilizar o sistema e reclamam da falta de assistência da Anvisa. Segundo Glória Latuf, todos os questionamentos encaminhados à Agência através do e-mail sngpc.controlados@anvisa.gov.br serão respondidos, mas “como a demanda é muito grande, a resposta deve demorar entre 25 e 30 dias”. Ela informou também que não há atendimento telefônico, mas que foi criado um e-mail especial para esclarecer as dúvidas dos desenvolvedores de sistema e técnicos de informática (desenvolvedores.sngpc@anvisa.gov.br).

Outra alternativa apontada pela assessora é a consulta ao hot site do sistema (http://www.anvisa.gov.br/hotsite/sngpc/index.asp). Atualizada diariamente, a página traz uma lista com as perguntas mais freqüentes e passo a passo para realizar o cadastramento da empresa e a transmissão dos dados utilizando o padrão XML. “Acreditamos que as informações do hot site podem eliminar grande parte das dúvidas. Estamos trabalhando pra deixá-lo o mais completo possível”, afirmou.

Benefícios
O principal objetivo do SNGPC é gerar informação fidedigna e atualizada do comércio de substancias sujeitas a controle especial. “O SNGPC traz como novidade a introdução do conceito de rastreabilidade das substâncias, pois a partir do número de lote do fabricante será possível localizar os produtos em todo país”, comentou Glória Latuf.

Segundo ela, o controle manuscrito, ainda em vigor, guarda informação “imanejável”. A escrituração manual dificulta o controle eficiente e, como conseqüência, o mercado brasileiro de substâncias sujeitas a controle é “absolutamente informal”, dando margem ao uso indiscriminado dessas substâncias. “Com a implantação do SNGPC as vigilâncias sanitárias terão acesso permanente aos dados transmitidos pelos estabelecimentos farmacêuticos – estoque e movimentação de substâncias sujeitas a controle especial – e poderão programar ações sanitárias de modo a prevenir problemas”, explicou.

Farmacêuticos acompanham palestra no auditório da SES


De acordo com a palestrante, passado o período de implantação e adaptação, os farmacêuticos também serão beneficiados pela facilidade e rapidez do sistema. “Ele foi pensado de modo a facilitar o trabalho dos farmacêuticos, que ganharão tempo com a substituição da caneta e papel pelo computador”, acrescentou.

Para Ângela Caldas, vice-presidente do CRFMG, o sistema vem formalizar o comércio de produtos e substâncias sujeitas a controle especial e fortalecer o papel do farmacêutico. “Poucas vezes ficou tão explícita para o farmacêutico a sua responsabilidade no controle dessas substâncias”, ressaltou.

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