O tema escolhido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), este ano, para marcar o Dia Mundial da Saúde foi a diabetes, celebrado em 7 de abril.
O CRF/MG também preparou programação especial e os farmacêuticos tiveram a oportunidade de participarem de um minicurso gratuito com o tema Diabetes Expert: torne-se um especialista no atendimento ao paciente diabético, ministrado na sede do Conselho pela educadora Mônica Lenzi.

A doença preocupa autoridades de saúde, pois cerca de 50% das pessoas acometidas pelo mal não sabem que são portadoras do diabetes. No Brasil, pesquisa do Ministério da Saúde aponta que 9 milhões de brasileiros têm diabetes, o que corresponde a 6,2% da população adulta no país.

Durante a palestra, Mônica abordou a assistência farmacêutica ao paciente diabético na prática, com foco na promoção da qualidade de vida. Foram destacadas a necessidade de promover a adesão ao tratamento e uso racional dos medicamentos orais e injetáveis, além de técinicas de fidelização ao paciente diabético.

A diretora do CRF/MG Júnia Célia de Medeiros ressalta que “como promotores da saúde, o farmacêutico deve estar engajado em todas as ações que contribuam para a melhor orientação e acompanhamento do paciente”.

Dezenas de farmacêuticos participaram do minicurso ministrado por Mônica Lenzi
Evitável
  • Medidas simples de alteração do estilo de vida demonstraram ser eficazes para prevenir ou atrasar o início da diabetes tipo 2. Manter um peso corporal normal, praticar uma atividade física regular e ter uma alimentação saudável podem reduzir o risco da diabetes.
  • A diabetes é tratável e pode ser controlada. Aumentar o acesso ao diagnóstico, à educação auto-gerida e aos tratamentos comportáveis do ponto de vista dos custos são componentes essenciais da resposta.
  • Os esforços para prevenir e tratar a diabetes são importantes para se alcançar a meta mundial do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3, que visa reduzir em 1/3 a mortalidade prematura causada pelas doenças não transmissíveis até 2030.

“A realidade que temos é que o paciente com diabetes é mal instruído. Muitas mortes acontecem por falta de orientação ao paciente. Para o tratamento do diabete é necessário equipes multidisciplinares. Um dos profissionais mais envolvidos com o tema é o farmacêutico. A iniciativa do CRF/MG, de capacitar os farmacêuticos, é muito importante”
Janaína Pereira Miranda
Farm. na Secretaria Estadual de Saúde

“Sempre que posso, participo das capacitações que acrescentam muito pra gente. Acredito que, cada vez que se discute sobre um tema, temos a oportunidade de aprimorar os nossos conhecimentos. Participar dos cursos aqui no Conselho é também uma forma de nos aproximarmos e conhecermos as pessoas que trabalham nele.”
Edenize Moreira Fagundes
Farm. na Drogaria Marília de Dirceu


A importância do farmacêutico na vida do diabético

Mônica Lenzi - Farmacêutica Educadora em Diabetes, especialista no atendimento do paciente diabético

Existem cerca de 14 milhões de brasileiros diabéticos, segundo o IDF – International Diabetes Federation, e o Brasil encontra-se na quarta colocação em número de diabéticos no mundo, atrás somente para a China, Índia e EUA. 

O diabetes é um sério problema de saúde pública em todo o planeta e mesmo com o surgimento de novas tecnologias, como o pâncreas artificial, medidores de glicose que não precisam de picadas, insulina inalada, que dispensa o uso de agulha, sem Educação (conhecimento) o tratamento fica comprometido, podendo levar ao surgimento das comorbidades inerentes do descontrole glicêmico como: retinopatia, neuropatia, nefropatia, doenças cardiovasculares, amputação e disfunção erétil.

“Diabetes com educação é diabetes sem complicação”

O tratamento do diabetes requer uma equipe multidisciplinar, constituída por médico, nutricionista, educador físico, psicólogo, enfermeiro e também o farmacêutico, pois estamos aptos para fazer muito mais do que simplesmente dispensar medicamentos.

Levando-se em consideração o grande número de farmácias e drogarias existentes no Brasil, a frequência com que o paciente diabético vai até estes estabelecimentos, os farmacêuticos estão na linha de frente e com um papel fundamental no tratamento da doença. O paciente diabético, ou seu cuidador, frequenta a farmácia no mínimo uma vez ao mês em busca de seus medicamentos de uso contínuo e insumos para controle da doença. O diabético tem mais contato com o farmacêutico do que com o médico, que ele vê com menos frequência (em média de duas vezes ao ano).

Nós, farmacêuticos, nos encontramos bem-posicionados para aconselhar e educar os diabéticos para o controle dos níveis glicêmicos. Quando avaliamos o estado de saúde do paciente temos como incentivá-lo a aderir ao tratamento prescrito pelo médico, além de detectar possíveis interações medicamentosas. Há muitos pacientes que não informam ao médico sua condição de diabético e, por algum motivo, recebem uma prescrição de corticoide para algum tipo de tratamento temporário, droga esta hiperglicemiante, que vai levar a um descontrole glicêmico, mesmo que o paciente esteja seguindo à risca todas as determinações de seu médico para o tratamento do diabetes.

Por meio de planilhas ou programas específicos, podemos acompanhar e monitorar os parâmetros bioquímicos destes pacientes, encaminhando-os a outros profissionais de saúde, que fazem parte da equipe multidisciplinar. 

Se exercemos o papel de Educador em Diabetes, podemos capacitar o paciente diabético a gerir melhor o seu controle. O simples fato de fazer um teste de glicose capilar sem que tenha feito a higienização correta das mãos, pode levar a resultados irreais que, consequentemente, levam a doses de insulinas não adequadas para o momento, gerando um descontrole glicêmico.

Podemos dar as orientações dietéticas básicas, fazendo com que o paciente tenha uma alimentação mais saudável e balanceada; orientar e incentivar este paciente à pratica de atividade física, que, aliada a alimentação equilibrada e ao tratamento medicamentoso prescrito pelo médico, são os pilares para uma vida saudável, mesmo com diabetes.

Esta prestação de serviço na gestão do diabetes requer conhecimento sobre o mercado (produtos, medicamentos e insumos disponíveis), habilidades de comunicação, e um compromisso de tempo, esforço e recursos. Os farmacêuticos que se dedicam à formação em educação em diabetes colhem recompensas em termos de satisfação profissional e até mesmo financeiras.

Este paciente possui o maior ticket médio do varejo farmacêutico, girando entre R$ 350,00 e R$ 1.500,00 mês. Pesquisas indicam que o paciente diabético visita a farmácia de três a 8 vezes mais que um paciente comum. Fidelizá-lo, por meio da excelência do atendimento e da presença da lista completa de produtos necessários para atendê-lo, vai aumentar consideravelmente suas vendas, podendo impactar em até 30% no faturamento.

O processo de comunicação com este paciente é de extrema importância. Atender as necessidades das pessoas com diabetes, e seus cuidadores, requer a compreensão dos múltiplos fatores que interagem para influenciar a adesão do paciente ao tratamento prescrito e adaptação à doença. Quando você consegue fazer com que seu cliente entenda sua condição, e como ele pode melhorar sua qualidade de vida, você consegue garantir esta adesão.

Não existe nada mais gratificante para quem se dedica a cuidar da saúde de alguém, do que receber o retorno da satisfação de seu cliente.

A comunicação vai muito além da orientação, avaliação e acompanhamento do tratamento do cliente diabético. Na farmácia, podemos incluir aí vários fatores, entre eles, identificar as necessidades de insumos, tais como tiras, seringas, agulhas, cremes, etc; identificar qual medidor de glicose é o ideal para cada cliente, de acordo com quem vai usar, quantos teste serão realizados por mês; identificar possíveis erros que o cliente possa estar cometendo na aplicação e armazenagem da insulina, que vai comprometer sua ação.

O tratamento do diabetes é rico em detalhes, que muitas vezes passam despercebidos levando a um descontrole glicêmico. Com uma conversa clara e objetiva, no balcão ou até mesmo no consultório farmacêutico, você consegue desmascarar detalhes que muitas vezes passam despercebidos na consulta médica.